Mulher de prenome “Alane”, vista das fotos do desastre da BA-263, em 12 de abril, com três mortos, disse ter ido ao local “apenas para ajudar”.
Terça-feira, 12 de abril de 2016, rodovia BA-263, Itapetinga, Sudoeste da Bahia. Um carro de passeio com cinco pessoas sai da pista, dois ocupantes morrem no local. O motorista não resiste e vem a óbito horas depois no Hospital Cristo Redentor.

 

As vítimas fatais eram mãe e filhos e residiam no município de Firmino Alves, cidade próxima, situada no Sul do Estado. A tragédia abalou toda região. Até um cachorro que viajava no veículo foi arremessado e morreu no local.
Um dia após a fatalidade, foi divulgado oficialmente de que houve troca de documentos no DPT e uma das vítimas, dada como morta, na verdade estava viva. A descoberta foi feita antes do sepultamento. Alguns dias após o capotamento, as indagações não eram com relação as causas do acidente, tão pouco sobre o que teria causado a troca
dos documentos de identificação das vítimas. Na verdade, o que chamou atenção de alguns internautas foi uma mulher que aparece em um vídeo amador feito logo após o acidente. Ela acompanha (de perto) o trabalho dos socorristas do Samu-192, como podemos observar na imagem acima.


Escancaradamente, o vídeo divulgado também mostra os corpos das vítimas. As imagens foram divulgadas nas redes sociais, principalmente no aplicativo whatsapp, e reproduzidas por milhares de pessoas. Os usuários questionavam a existência da mulher, alguns a chamaram de ‘fantasma’, outros compartilhavam as imagens e faziam piadas. Até alguns blogs publicaram notas sobre o assunto, fazendo indagações e brincadeiras com a imagem da mulher, até então desconhecida. Um verdadeiro espetáculo de horror que se espalhou rapidamente na web.





A reportagem, com ajuda de algumas fontes de informações, conseguiu localizar e conversar com a mulher que virou motivo de chacota na internet. Ela se chama Alane e mora com o marido e os dois filhos numa casa simples, situada ás margens da rodovia BA-263, no município de Itapetinga. É uma mulher batalhadora, inclusive ajuda o marido, em algumas funções na fazenda. Alane nos conta que naquela manhã chuvosa de terça-feira estava indo justamente para a fazenda cortar capim para as vacas, quando se deparou com o acidente. A mulher também informou que eram muitos feridos e que estava ali para ajudar. “Eram cinco vítimas e o Samu pediu que eu ajudasse a retirar o material. Depois fiquei aguardando para ver se o Samu precisasse de mais alguma ajuda”, conta.

Sobre as publicações a seu respeito na internet a mulher mostrou-se indignada e disse que havia acabado de tomar conhecimento do caso. “Descobrir hoje porque uma amiga contou para o meu marido. A gente não tem internet e por isso não descobrimos antes. Estou assustada, estava só ajudando”, desabafa. A família e os amigos de Alane também disseram que estão chateados com a situação. “Ela não é um fantasma, é minha filha”, declarou dona Maria da Glória à reportagem.