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sábado, 11 de junho de 2016

Violência: ‘Tenho que acabar com meu pai’, diz pelo WhatsApp filha que tramou assassinato

Investigação concluiu que irmãs encomendaram assassinato. Valdir de Oliveira Miranda, de 59 anos, foi morto a facadas.
A Polícia Civil de Mogi das Cruzes, em São Paulo, divulgou trechos de conversas de WhatsApp de uma jovem de 19 anos que confessou ter encomendado a morte do próprio pai, em dezembro de 2014, quando tinha 17 anos.

“Tenho que acabar com meu pai”, disse a jovem em mensagem enviada ao namorado. Valdir de Oliveira Miranda, de 59 anos, foi assassinado a facadas em Suzano quando guardava o carro na garagem.

Menor de idade na época do crime, a jovem foi apreendida pela polícia nesta quinta-feira (9), com a conclusão da investigação. Sua irmã mais velha, apesar de negar participação no crime, foi presa por homicídio. Segundo a polícia, após dizer ao namorado “tenho que acabar com meu pai”, a jovem enviou uma nova mensagem: “me ajuda pelo amor de Deus”. Em seguida, o namorado perguntou se o pai da jovem já tinha chegado em casa e disse que iria ao encontro dela.

As mensagens foram anexadas ao processo de investigação, conduzido pelo delegado Rubens José Ângelo, do Setor de Homicídios. A polícia concluiu que, além da jovem, hoje com 19 anos, a irmã mais velha, Sabrina de Jesus Miranda, que na época do crime tinha 28 anos, também teve envolvimento no mando da morte do pai. Os dois adolescentes identificados como executores de Valdir estão aprendidos desde a época do crime. A vítima foi executada com golpes de faca na região do pescoço ao estacionar o carro na garagem de casa. Além do namorado da jovem que enviou a mensagem, um amigo de sua irmã mais velha é o outro adolescente suspeito do crime e apreendido desde 2014 pelo homicídio.



Depoimento

Segundo a polícia, a caçula assumiu nesta quinta a autoria do pedido de execução do pai e disse que a irmã mais velha não sabia de nada. A jovem contou ainda que acreditava que ficaria impune pelo crime. “Eu tive a ideia. Minha irmã não sabia de nada. Eu achei que ficaria impune. Estava acreditando nisso até hoje. Foi desesperador ver a polícia na minha casa”.

Ela contou também que o pai não sabia de seu relacionamento e afirmou que o namorado era usuário de entorpecentes. “Eu falei para o meu namorado o que queria fazer e ele falou ‘tudo bem’. Meu pai não sabia do meu namoro e se soubesse, que pai aceitaria a filha namorando um usuário de drogas?”. Segundo a investigação, os menores que executaram Valdir usaram o carro se sua filha mais velha noite do crime. A filha caçula disse que pegou o carro escondido da irmã. “Eu peguei o carro, eu sabia onde ficavam as coisas. Eu sabia onde ela guardava a chave reserva do carro”, disse a jovem, segundo as autoridades.

A polícia discorda desta versão. Segundo o delegado do Rubens José Ângelo, as duas planejaram o crime, mas a mais velha, Sabrina, esteve especialmente envolvida. “Foi ela que cedeu as chaves do carro para que os menores fossem executar o pai. A Sabrina teve a ideia e instigou os menores à prática do crime. Pelo conjunto de provas, o que se conclui é que as duas irmãs são culpadas”, afirmou o delegado.

‘Comportamento agressivo’

Sabrina alega que na noite do crime estava dormindo quando foi avisada da morte do pai. “Eu tinha chegado de Campinas, onde fui visitar alguns parentes. Cheguei muito tarde de viagem. Quando eu fui informada do que tinha acontecido já estava deitada. Falaram que meu pai tinha sido morto. Eu pensei que tivesse sido um assalto.” Ela afirmou que mantinha um bom relacionamento com o pai, mas que ele apresentava comportamento agressivo.

“Ele me criou desde que eu tinha um ano. A gente tinha um relacionamento bom, porém ele tinha surtos, ele batia em mim, na minha mãe, ele tinha problemas com outros relacionamentos dele também. Os outros filhos dele diziam isso. Isso era um agravante. Meu pai não se dava bem com ninguém. Ele não falava com os próprios irmãos dele”. Questionada sobre a premeditação do crime, Sabrina disse que não planejou, mas que já tinha pensado em matar o pai. “No desespero, lógico, que passa às vezes a gente tentar achar uma saída. Eu jamais mandaria matar. Eu não estava na morte do meu pai”.

Segundo ela, o adolescente que ajudou o namorado da irmã caçula na execução de Valdir tinha acesso à casa da família. “Ele era primo do meu namorado, que é meu marido hoje. Ele frequentava a casa e tinha amizade”. Sabrina disse ainda que perdoa a irmã caçula. “É ruim. Só quem passou o que a gente passou sabe. Eu perdoo a minha irmã de todo o meu coração”. Segundo a polícia, Sabrina de Jesus Miranda vai responder por homicídio e já foi encaminhada para a Cadeia Feminina, em Poá. A irmã caçula, após o término da audiência de custódia, foi apreendida e encaminhada para a Fundação Casa.

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